OPINIÃO. « Para um Bola de Ouro do fair-play », por Nicolas Béraud, CEO do Betclic Group
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Nicolas Béraud, CEO do Betclic Group, defende a criação de uma nova Bola de Ouro: a do fair-play.


O Ballon de Ouro não recompensa apenas uma jogadora ou um jogador: ele consagra uma época, um símbolo, uma visão do futebol. No próximo dia 22 de setembro, enquanto Paris acolhe a mítica cerimônia, o mundo inteiro estará com os olhos fixos em quem hoje representa este esporte que se tornou uma linguagem universal.
A cerimônia do Ballon de Ouro é, todos os anos desde 1956, um dos momentos mais aguardados do calendário do futebol mundial. Atribuídos por 150 jornalistas de todo o mundo, os troféus do melhor jogador e da melhor jogadora do mundo são verdadeiras consagrações nas carreiras daqueles que terão um dia a sorte de recebê-los.
Essas distinções lembram o quanto o impacto das jogadoras e jogadores de futebol vai além de suas performances esportivas. Suas histórias pessoais, seus compromissos sociais, sua influência cultural os tornam ícones globais. Nos pátios das escolas como nas redes sociais, seus gestos são imitados, suas atitudes observadas. Esse status lhes confere uma responsabilidade adicional: a da exemplaridade.
É por isso que é hora de dar um novo passo: criar um Ballon de Ouro para o fair-play.
A sociedade espera de suas figuras públicas referências, especialmente em períodos conturbados. Valorizar o fair-play é reconhecer que certos comportamentos valem tanto - e têm uma dimensão completamente diferente - que um gol ou uma assistência: proteger os árbitros, acalmar as tensões nos estádios, mostrar que é possível vencer sem trapacear.
"Valorizar o fair-play é reconhecer que certos comportamentos valem tanto - e têm uma dimensão completamente diferente - que um gol ou uma assistência"
A temporada passada nos ofereceu gestos inesquecíveis. Pepê, do FC Porto, interrompendo uma ação ao ver um adversário no chão. Patrick Dorgu, na Liga Europa, recusando um pênalti concedido por engano. E isso sempre existiu no futebol: ainda nos lembramos do gesto de Paolo Di Canio em 2000, parando o jogo para permitir que os cuidadores ajudassem o goleiro adversário. Ou de Miroslav Klose, confessando ao árbitro que havia marcado com a mão em uma partida crucial.
Esses momentos dizem o essencial: a humanidade e o respeito pelas regras não diminuem a vitória, eles a elevam.
Enquanto educadores, treinadores e árbitros expressam regularmente sua preocupação com a falta de civismo dentro e ao redor dos campos, é hora de afirmar com força que o respeito ao próximo e pelas regras também participa da fama mundial dos atletas.
"A humanidade e o respeito pelas regras não diminuem a vitória, eles a elevam"
Este prêmio histórico que é o Ballon de Ouro deve celebrar o futebol como uma escola de vida, uma ferramenta de educação e coesão, elevando à categoria de modelos essenciais aqueles que defendem esses princípios de vivência em conjunto, mesmo na adversidade da competição.
Honrar o fair-play é lembrar que os maiores não marcam apenas gols, eles marcam a memória.

